DE VOLTA À CENA
4 04UTC março 04UTC 2008
DE VOLTA À CENA
Uns olhos opacos de alicate que cinzas flutuam pela sala
Imagem focada pela luz de um número variante de espelhos
Não se iluda com a reconstituição gráfica da memória da vítima
Captei emoções da testemunha ocular
De uma paixão inesgotável, nenhuma gota
Deságua o rio debaixo de mim
O fogo se apaga e restam cinzas
Dentes e tentáculos cravados na retina
Passou o natal, passou
O novo ano passou
Passou o carnaval
Morrerá o marrom do chocolate pascoalino
Aspiro a fumaça e você a cinza que sobrou daquela cena
São poros arrebentados frente à ordem e ao progresso
Impávido e colosso sem destino
Naufrágio
Insisto em existir
Porque penso e me desfaço em carinhos que se vão
Passagem sem rito, sem memória, sem grito
Uivar é o meu desacato e existo

