23 23UTC abril 23UTC 2008
CAFÉ PRETO
CIGARRO
BEIJO
CUIDADO
BOLAS
HORAS
SINAL
PASSOS
CHÃO
COBERTOR
MIJO
PAPELÃO
TRILHOS
SUOR
LICENÇAS
CARALHO
TROVÃO
CORRE
UM RAIO
PRESENTE
MOMENTO
OBRIGADO
ASILO
CERVEJA
FERMENTA
FECHA
PÁLBEBRAS
E ACORDA.
o segredo de vovô era viver sorrindo
era dançar sorrindo
falar sorrindo
andar sorrindo
contar fábulas como testemunha ocular, sorrindo
com reumatismo trepar em árvores, sorrindo
brigar com mamãe, sorrindo
perder a consciência sorrindo
recuperá-la sorrindo
para poder morrer sorrindo
hecatombe quando pisca a tv na madrugada
entre zapeados recortes disformes
surgiu a nauseabunda entrevistada
senta sobre o símbolo que traduz o costume, a fantasia e sorri inebriada
exibe a grande proporção
é o troféu nádegas num ritmo neurótico
me compadeço com seu destino
depois de muito gasta e beliscada
necrotério de personalidades instântaneas
saudades das esferas harmoniosas nos versos de Drummond
cruz CRÉEEEUUUUdo!
a poesia perdeu a bunda
a bunda perdeu a poesia
e eu perdi o sono
insônia patológica
ficção científica profunda…
10 10UTC abril 10UTC 2008
O sol nasceu. A escuridão findou. Tudo em pedaços. Então se lembrou da frase derradeira do amigo:”Quando for a hora, monte o quebra-cabeças, mas utilize somente as peças que parecerem impossíveis à primeira vista”.
7 07UTC abril 07UTC 2008
Chovia. Não sabia durante quantas horas estava caminhando. Era noite alta. A escuridão cheirava lama e já não podia mais parar, seus pés latejavam quando tentava descansar ou diminuir o ritmo dos passos. A dor física impedia a desistência da fuga.
Deveria caminhar até que amanhecesse. Foi o que ele disse antes da explosão. Tinha a sensação de que essa noite duraria muito mais do que todas as noites da história da Terra. Saberia adiante que sua sensação estava certa.
Pensava na razão daquilo tudo. Nunca imaginou isso acontecendo. Chorava. O estampido forte, um zunido estridente, o clarão e a fumaça. Ele apenas disse: ande até que amanheça, não pare até ver o sol. Não houve abraços e perguntas, só essa recomendação.
Após o clarão, o escuro, a noite, o breu. Nenhum som natural ou mecânico. Agora sabia o que era o nada.
Meteu as mãos nos bolsos da saia, encontrou umas notas amassadas e as chaves de casa. A casa que viu explodir junto com todo o resto. Guardou novamente as chaves em um dos bolsos e atirou fora as notas. Ficou mais leve e passou a caminhar mais rapidamente.