FEBRA

DEPOIS DE TUDO

7 07UTC abril 07UTC 2008

Chovia. Não sabia durante quantas horas estava caminhando. Era noite alta. A escuridão cheirava lama e já não podia mais parar, seus pés latejavam quando tentava descansar ou diminuir o ritmo dos passos. A dor física impedia a desistência da fuga.
Deveria caminhar até que amanhecesse. Foi o que ele disse antes da explosão. Tinha a sensação de que essa noite duraria muito mais do que todas as noites da história da Terra. Saberia adiante que sua sensação estava certa.
Pensava na razão daquilo tudo. Nunca imaginou isso acontecendo. Chorava. O estampido forte, um zunido estridente, o clarão e a fumaça. Ele apenas disse: ande até que amanheça, não pare até ver o sol. Não houve abraços e perguntas, só essa recomendação.
Após o clarão, o escuro, a noite, o breu. Nenhum som natural ou mecânico. Agora sabia o que era o nada.

Meteu as mãos nos bolsos da saia, encontrou umas notas amassadas e as chaves de casa. A casa que viu explodir junto com todo o resto. Guardou novamente as chaves em um dos bolsos e atirou fora as notas. Ficou mais leve e passou a caminhar mais rapidamente.

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