SÓ HOJE
7 07UTC agosto 07UTC 2008
Não mais. Eu me viro e não explico. A minha condição é não estar parada. Encontro brechas e me encaixo. O que cabe aqui? Eu ofendo na cara. Não entendo superlativos. O hoje é a única experiência interessante e o passado não me serve mais. Já joguei muita pedra que não podia ter jogado e daí? Recebo pedradas também. Essa culpa cristã é uma invenção pilantra. Chega disso. Não vim aqui pra não reagir. Só quero me encolher se for antes do salto. Eu sigo as aparições do espelho que me olham fundo e que me colocam em xeque. Quanta complicação nós causamos quando não deixamos de lado a covardia. A covardia de se assumir frágil e humano. A energia do grito e a solenidade do sussurro. Quando durmo ando pela casa e falo com Berenice. Ela fazia torresmos deliciosos nas minhas tardes de infância. Eu nunca mais comerei torresmos como os dela. Eu nunca mais me deparei com um olhar tão doce. Berenice era uma leoa avó que me fazia tranças no cabelo e me ensinou a falar com os bichos e a cantar cantigas de roda. O mundo tem urgência de Berenices. Pelas noites há uma antena que capta os seus sinais e eles me livram dos maus pensamentos. Meu coração anda na mão. Quando tropeço ele trepida e por vezes cai no chão. Sempre apanhei ele de volta. Nada nos deterá. É o coração quem decide a vida e eu tenho pressa de sentir.

