FEBRA

A DEUSA

15 15UTC abril 15UTC 2009

Caminha ao lado da guerreira, sob a luz de sua espada e com ela se atira na roda da vida. No romper da ventania, a mãe lhe afaga os cabelos e grita que não sinta medo. Por isso se inquieta drasticamente e se arrisca ao recomeço.  Essa é a razão do sangue que ferve, da dor que passa e da coragem que sente em teimosia. Que o raio agiganta sua alma e proclama a derrubada do trono infecundo. As profundezas trazem sensações avassaladoras. Não escapa por bom comportamento, mas não abusa dos que acompanha, seja qual for o motivo. Ainda gosta de colorir desenhos com o carmim e o dourado. Mostra-os secretamente para a Deusa adorada e batem palmas, vivas de cumplicidade, durante as noites escuras, abandonadas nos braços da solidão. A solidão acolhe essas mulheres e aquieta os corações até que durmam. Adormecem sorrindo e sonhando todos os sonhos que são possíveis a quem se entregou aos amores todos e de todos partiu.

 

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