FEBRA

esquina da boa idéia

29 29UTC abril 29UTC 2009

Eu te lembro nos momentos em que esqueço de mim. Se ir aos braços longe fica, fica bem mais fácil em pensamento. Em você eu chego assim. E disfarçando o semblante dos que ao redor distantes acham que chegam, eu penso em teu rosto surpreso e desconcerto seus cantos por minha presença.  De repente! A subir por entre as frestas das lembranças em suas pernas bambas de expectativas imaginárias, ternas e secretas. Eu te passo em revista e me alcanço em seu peito trôpego reticente e cheio de saudades. Eu me socorro do suspiro que desfalece seu respiro no travesseiro solitário do quarto em que vives e dormes sem sonhos maiores do que podes suportar. Eu já não volto em sons ou imagens,  mas em discretos sinais que dou ao vazio de um mar inventado em palavras milhares, soltas e anônimas de um universo crescente perdido, disperso em prantos miúdos. Sem esperança alguma de chegar fisicamente de volta aquele lugar onde voltamos todas as noites sem alma, aflitos, escondidos, sozinhos de nós.

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