FEBRA

AMOR DE CARNE E OSSO

19 19UTC maio 19UTC 2009

A distância suaviza os desentendimentos. Camufla no tempo as irritações cotidianas. Não há sapo ausente que não se forme príncipe durante a nostalgia ilusória que se cria imbecilmente. Uma referência circular não pode ser referência nenhuma.

Prefiro os seus defeitos em volta de mim. Homem e nunca príncipe, dono do meu suspiro.  Minha parte preferida da coxia, meu sono, meu descanso, meu guerreiro imperfeito, de sorriso mal humorado, meu nada herói, meu amor.

 

POR SER

8 08UTC maio 08UTC 2009

Se os dias em conta gotas surrupiam meus tempos idos, enrolo minhas perguntas subterrâneas em derramamentos de gentilezas escassas entre as pessoas que bem quero. E posso derrapar na curva fechada da vaidade, onde meu ego salta em triplos vazios de fogo e natureza. Escapo do mesmo e volto ao ponto convencional de onde parti. Solavancos brutos e falta de carinho me ditam a direção do marasmo e comunico ao meu espírito que vamos fazer malas. Tento me convencer que estou aqui por alguma razão e quando meu coração é convencido me cobra o caminho, pois já não suporta mais tanta agonia.

Me iludo com coisas poucas, me desencanto com muitas de mim. Ou sou tantas que me afogo em prantos de um segundo que mal chegam à garganta inflada de gritos e verbos? Meu tempo se vai e sinto que estou passando sem vestígio algum. Sou a que escapa de si, num arrastar correntes fantasmagóricas. Quero a vertigem solta entre ventos diretos e vindos de um futuro escondido, mas necessariamente misterioso.

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